Sabe doce de abóbora? Aqueles em formato de coração? Tão cor de abóbora que chega a brilhar? Pois é. Esse mesmo. Adoro doce de abóbora de coração. Para mim felicidade é isso: um simples doce de abóbora. Quando penso nisso, imediatamente meu cérebro já envia uma mensagem a minha boca. E ela se enche de água esperando sentir o gosto maravilhoso do doce. Ah, aquele gosto! Que agora associo com a saudade...
Doce de abóbora me lembra meu pai quando chegava do trabalho. Ele sempre trazia doces pra gente. Ele sabia que aquele pequeno coração laranja fazia a minha felicidade. E assim ele vinha: com um sorriso no rosto e um coração na mão.
A minha definição de felicidade ligada a um doce pode parecer meio simplória. É pra se pensar: “Nossa, ela se satisfaz com muito pouco!”. Talvez. Talvez a felicidade seja simples assim. Nós é que a fazemos tão difícil se ser alcançada. Almejamos grandes coisas. Queremos ser pessoas bem sucedidas financeiramente, ter reconhecimento profissional, uma família maravilhosa e mais uma série de bens materiais que nada mais fazem do que dar trabalho na declaração de imposto de renda (Meu lado de contadora falando!). Ah, claro! Queremos amigos verdadeiros e saúde perfeita.
Todas essas coisas estão enfiadas no meio dos conceitos de felicidade. E podemos encontrar outras tantas mais. E quando a gente simplesmente não consegue uma delas se torna de uma infelicidade de causar dó. Aí, nos consolam aquelas velhas frases do tipo: “Dinheiro não traz felicidade” ou então “A felicidade está em fazer o que se gosta”(para justificar um péssimo salário num emprego que nem se gosta tanto assim). E a família perfeita? Ela existe? E amigos verdadeiros? Será que a uma altura da vida a verdade não se transforma? E porque ficamos doentes? Isso tem explicação lógica? Se eu comer só alface, tomar cinco litros de água por dia, correr feito louca no parque, nunca vou ficar doente? Não vou morrer como morrem todas as pessoas?
Não vou dar a receita da felicidade para ninguém. Porque a minha felicidade é diferente da de todos os outros. Cada um tem a sua maneira de ser feliz ou o que acha que o fará feliz. Para mim, felicidade é essa busca. Ou como diria alguém, (que agora me fugiu o nome): “é a travessia e não a chegada”. Agradeço a Deus todos os dias quando, de manhã, abro os olhos e sei que posso buscar a felicidade em mais aquele dia. Talvez, a gente fique tão preocupada em chegar lá, no pote de ouro do fim do arco-íris, que nem perceba a beleza e a promessa dele, que nem olhe as flores pelo caminho e muito menos, tenha tempo para apreciar um doce de abóbora.
O fato é que há nove anos tenho diabetes. Doce de abóbora não faz mais parte da minha vida. Mas, enquanto pude, senti o gosto daquela felicidade. Ela ficou gravada em meu coração. Sou infeliz? Não (Pelo menos não nesse momento, amanhã quem sabe?). Hoje tenho outras aspirações, outras travessias para fazer. Busco outras coisas para me fazer feliz... Como um doce de abóbora de coração diet ou um doce coração diet ou uma abóbora diet de coração. Sei lá! Pode ser um doce de leite no canudo também. Adoro! Diet é claro.
Angela Rocha
Tags: alegria, amizade, coração, doce, esperança, felicidade, fé, saudade, travessia
Compartilhar
Você precisa ser um membro de CATEQUESE !!! para adicionar comentários!
Entrar nesta rede social