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REFLEXÃO DOMINICAL - A Transfiguração (Mt 17,1-9) [Louraini Christmann]

Daehyun Kim

Textos paralelos

Mateus, Marcos e Lucas narram a mesma passagem. Antecede sempre o anúncio da cruz e vem logo após o anúncio da boa-nova da cura de um menino. E nos três também aparecem claramente os discípulos de Jesus negando a cura ao menino, os mesmos discípulos dentre os quais Pedro, Tiago e João, que de imediato queriam construir tendas para este Jesus brilhante e glorioso. É! Temem o Jesus da cruz, que desafia a cura, inclusive do menino ao qual negam a cura, e querem prender a si o Jesus da glória, do brilho.

É claro que a cruz angustia. É claro que ela preocupa. Mas Jesus não pode voltar atrás e isto Pedro não entende e não aceita. “Arreda, Satanás!” para Pedro (Mt 16,23). Mas parece que o tal de Satanás continua firme nos discípulos, agora na vontade de perpetuar uma paz gloriosa, uma paz fictícia, uma paz sem paz. E para Jesus poder iniciar a construção da paz verdadeira é preciso que ele passe pela cruz. Não tem outro jeito.

 

  1. “Senhor, como é bom estarmos aqui”

Sim, é bom ver Jesus daquele jeito, com o rosto brilhante como o sol, com as roupas brancas como a luz. É um momento forte.

Sim, é bom estar aí. Também para Jesus. Por isso sobe para um alto monte, onde sempre acontecem momentos importantes. Pois ele precisa também se alimentar de um momento importante, especial, sublime, como também nós precisamos.

O momento no alto do monte, da reza, da busca por energia para enfrentar a vida, é um momento do coração, não da razão. E o coração precisa desses momentos. Ah, como precisa!

Também é importante saber adorar esse Deus com toda a intensidade por outro motivo: isso faz a gente se desprender da gente mesmo. Isso nos impede de adorar a nós mesmos.

 

  1. Armar barraca para a glória

Mas Pedro, Tiago e João querem perpetuar esse momento, querem ficar só nele, querem esquecer a cruz. Por isso propõem a construção de uma barraca. A barraca seria a maneira de segurá-lo desse jeito, de garantir que ele não viesse de novo com aquela conversa da cruz. Ali, brilhando, reluzindo ao lado de Elias e Moisés, seria muito mais fácil assumi-lo.

Nós, muitas vezes, sentimos também essa tentação. Desenvolver uma fé descomprometida, apenas contemplativa, é também hoje armar barraca para a glória, é também hoje ignorar a passagem pela cruz. Imaginar Jesus eternamente ao lado de Elias e Moisés, conversando com eles, é não querer seguir o rumo da cruz.

É preciso saber levantar-se depois dos momentos de glória, depois dos momentos de se ajoelhar. Jesus faz isto também. Busca momentos de se reabastecer e vai à luta. Este ir à luta começa aí não aceitando a proposta de Pedro.

 

  1. “Escutem o que ele diz!”

Aí o próprio Deus coloca a sua proposta. Deus leva da visão para a audição: “Escutem o que ele diz”. É preciso ouvir o que Jesus diz, porque “este é seu Filho querido, este lhe dá muita alegria” (Mt 17,5).

Ao ouvirem essa voz, os discípulos tremem na base. Sabem já o que isso significa. Já ouviram tanto ele dizendo, desafiando, convocando…

“Levantem-se e não tenham medo” (Mt 17,6b). É preciso levantar-se e viver o que ele diz. Para isso necessita-se de coragem, de energia, de fibra. Não é fácil ser seguidor de alguém que assume o sofrimento. Bem mais fácil seria seguir um Jesus que aceitasse a instalação de uma confortável barraca ao lado de Elias e Moisés, personagens gloriosos da história de Israel.

 

  1. Jesus é mais brilhante do que Elias e Moisés

Jesus é o filho amado de Deus. Não Elias, nem Moisés. Só Jesus. Isto o deixa em destaque. Elias e Moisés lembram Deus revelando sua palavra. Mas Jesus é mais do que isso. Jesus é o verbo que se fez carne. Eles são importantes, sim. Estão aí, no alto do monte, conversando com Jesus. Mas Jesus é o filho amado que a gente precisa ouvir e seguir.

Depois da visão, Moisés e Elias desaparecem. Fica bem claro quem é que interessa dali para frente. A mensagem do evangelho passa a valer mais do que a lei e os profetas. Mas o importante é que Jesus faz essa ponte entre essas mensagens, todas com o seu devido valor, devidamente explicadas, vividas no decorrer do evangelho de Jesus.

Somem tradições e costumes. Fica Jesus.

Jesus aparecendo com o rosto brilhante e as roupas brancas como a luz quer ser a prova de que é o Messias tão esperado. Ele tem a ver com os anjos, ele tem a ver com Deus. É o seu filho amado, que lhe dá tanta alegria.

 

  1. O momento do brilho entre as cruzes hoje

Como necessitamos de momentos de brilho também entre as nossas cruzes hoje! E é a vida comunitária, vivida com responsabilidade e intensidade, que dá isso para a gente. Precisamos poder também transfigurar comunitariamente, na base da história que a gente já viveu, na base de tudo o que a gente já aprendeu, na base da vida.

As nossas celebrações comunitárias deveriam ser esses momentos fortes de brilho e glória.

Deveriam iniciar com canções marcantes, que possam nos emocionar. Os nossos cultos precisam ser um preparo para a vida, um fortalecimento para a vida, porque a vida não é uma beleza o tempo todo. Penso que, no geral, a gente dá muita ênfase à razão em detrimento da emoção. Não é necessário explicar tudo em nossas celebrações. Não é preciso entender tudo. Mas é preciso sentir tudo, é preciso conseguir juntar as coisas que a gente sente com a vida do dia-a-dia, onde a gente sente muito.

 

  1. “Não tenham medo! Levantem-se!”

Mas não dá para ficar no momento do brilho. Isto é muito pouco. Não dá para perpetuar o momento da glória. Este Jesus glorioso também anuncia a cruz. Pois não dá para negar a cruz. Ela precisa ser assumida em todas as suas dimensões. É preciso que nos levantemos do êxtase e que não tenhamos medo.

Pedro quer se apoderar de Jesus, quer construir uma barraca para prendê-lo a esse momento de glória; ele merece uma indireta bonita de Deus: Ouçam o que Jesus diz! Isto é o que importa. Será que a gente não merece também uma indireta dessas? Eu penso que não, simplesmente porque em muitas de nossas comunidades nem há esse momento de brilho. Há celebrações frias, racionais, estáticas. Há muitas celebrações sem celebração alguma. Lastimável, mas é.

Fonte: Proclamar Libertação – Volume: XXX

Ilustração de capa: Daehyun Kim, artista gráfico de Seul, estudou artes plásticas e especializou-se na arte do desenho asiático tradicional.

Fonte: CEBI

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