CATEQUESE !!!

Fazei tudo o que Ele vos mandar (Jo 2,5)

O silêncio que vêm do mundo

Os gritos e o choro das vítimas do terremoto no Haiti nos deixam chocados. A catástrofe natural só veio agravar a miséria e as condições quase desumanas em que vive a grande maioria do país. Na verdade, esses pedidos de socorro vem sendo feitos a muito mais tempo, bem anteriores à última terça-feira, dia 12. O Haiti é uma nação que vêm sofrendo os horrores da guerrilha praticamente desde a sua independência em 1804. O país de nove milhões de habitantes tem uma história turbulenta de conflitos, tensões sociais, ditaduras, instituições frágeis (e muitas inexistentes), sem contar também catástrofes naturais devastadoras, como terremotos e furacões. É considerado o país mais pobre das Américas, possui um índice de desemprego de quase 70% e 45% da população é analfabeta. A renda das pessoas lá é inferior até, a de algumas das populações das favelas do Rio.

Essa tragédia atingiu mais de dois milhões de pessoas. Fala-se em mais de meio milhão de casas para reconstruir, sem contar os barracos das inúmeras favelas ao redor de Porto Príncipe. Nas notícias que ouvimos e nas imagens que vemos, somente a capital é mostrada. Mais três cidades foram atingidas. Não se sabe em que situação se encontra os moradores destes locais e das áreas rurais. O número de mortos, já contados, passa de 25 mil e as autoridades estimam um número muito maior, em torno de duzentos mil. Nem posso imaginar em que situação se encontra as pessoas de lá, abandonadas a própria sorte, sem governo ou organização que atue em favor de uma ajuda humanitária eficiente. A força de paz da ONU, que poderia estar à frente na organização deste caos, está em busca de seus funcionários no meio dos escombros. Cerca de 300 funcionários estão desaparecidos. Novamente parece que os EUA vão voltar a ditar as regras de conduta a um país miserável.

É algo que choca o mundo e que nos faz pensar. Alguns até em injustiça divina. Ou pior: justiça, como acreditam outros. Afinal o Haiti é o país da “macumba” e do Vodu. O castigo preferido dos milicianos lá é queimar vivas as pessoas do lado contrário. Mesmo antes do terremoto, cadáveres de pessoas assassinadas ficavam expostos nas calçadas, sem que ninguém fizesse algo a respeito. Parece até que, para a população, não há mais teste de resistência possível. Agora, nada pode acontecer de pior.

Talvez esses gritos que escutamos agora, sejam para, finalmente, acordar as pessoas que insistem em não olhar o mundo e ver a miséria humana em que se encontram alguns povos. E povos, que vivem em locais de riscos de catástrofes, feito essa no Haiti. Mas, não é só terremoto e furacão que pode atingir essas pessoas, não. E elas podem nem estar tão longe assim. São pessoas que às vezes moram lá do outro lado da nossa cidade: populações ribeirinhas em locais de enchentes, moradores de encostas com risco de deslizamento, presídios abarrotados de pessoas em condições subumanas, sem-teto embaixo de pontes e viadutos e outros tantos necessitados. Será que essas pessoas também não estão gritando por socorro? Ou isso é uma coisa tão normal no noticiário que já nem nos incomodamos mais?

É minha gente. Talvez a gente tivesse que deixar de lado um pouco, essa nossa mania de chorar porque “o padre não dá bola pra catequese” ou porque “as crianças não vem à missa”, ou “os pais não participam” e outras tantas “mazelas” da nossa catequese. Talvez nós tivéssemos que realmente escutar o grito dos necessitados, daqueles que não vem nunca a Igreja, nem pra por o filho na catequese... É muito fácil falar da palavra para quem tem pão, evangelizar quem está aqui, ao nosso alcance. Porque nós catequistas não nos mobilizamos nas causas realmente humanitárias da Igreja? Porque não damos a conhecer aos “nossos pais” que possuem casa, carro e comida na mesa todos os dias, a enorme miséria das pessoas que procuram a Pastoral Social todos os dias? Pessoas em busca de comida, roupa, remédio e atenção. Porque não buscamos nas periferias as causas de tanta violência e morte, de tanta revolta contra Deus? Porque não buscamos as crianças que realmente precisam de catequese e que estão por aí marginalizadas e excluídas da sociedade?

Porque dá trabalho. Custaria muito mais que uma hora por semana. Poderia custar, até mesmo, nossas vidas, diriam alguns. É mais fácil ficar em silêncio. É mais fácil fingir que não acontece, como o mundo inteiro tem feito com o Haiti. Muito mais estarrecedor que o “grito” de angústia e dor, que vem de lá, é o silêncio absoluto de nossa pastoral frente a tanto sofrimento, tanta miséria e injustiça social, aqui mesmo, em nosso quintal.

O Haiti, também pode ser aqui.

Angela Rocha
Catequista em Guarapuava - PR

Exibições: 33

Comentar

Você precisa ser um membro de CATEQUESE !!! para adicionar comentários!

Entrar em CATEQUESE !!!

CAPELA VIRTUAL

Vem meditar comigo

 

EU ESTOU AQUI

 

 

 

Membros

Fórum

Quem fundou a Igreja Católica???

Iniciado por Jorge Kontovski 11 Jan, 2018.

Batismo em crianças

Iniciado por laila patricia 28 Set, 2015.

Confissão para a Primeira Eucaristia de Crianças (entre 11 e 13 anos) ?? 7 respostas 

Iniciado por Jorge -Catequista de Adolescente. Última resposta de Delourdes P. Prado 2 Jun, 2014.

1°Encontro

Iniciado por ana maria barbosa de araujo 21 Mar, 2014.

Fotos

  • Adicionar fotos
  • Exibir todos

Badge

Carregando...

LINKS

Estes contam com o meu apoio:

Baixar Livros Gratis em PDF
Baixar Livros Gratis

CATEQUESE E LUZ

PEQUENAS IRMÃS DA SAGRADA FAMÍLIA

Image

 

A PAIXÃO DE SER CATEQUISTA

Image

 

© 2020   Criado por Jorge Kontovski.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço