“A revolução na catequese começa com uma mudança de comportamento dos catequistas.”
(Alberto Meneguzzi)
Tem sido, pelo menos para mim, difícil mudar, ou melhor, implantar mudanças na catequese. Na verdade, dá é vontade de parar de vez e não parar só para pensar e avaliar. Já me questionei diversas vezes sobre o porquê de ainda estar aqui... É uma missão quase que infrutífera. Não vejo resultados aparentes. E sou muito, muito impaciente mesmo. Quero resultados e ações para já, agora. Não acho que podemos continuar esperando atitudes que não vem. Vejo vontade de mudar em alguns catequistas, na Igreja como instituição, não vejo nenhuma mudança.
Outro dia conheci uma pessoa que me perguntou por que me classifico como Catequista Amadora. Sou catequista há dois anos e meio. Pouco tempo mesmo, muito pouco. Faço parte da coordenação da catequese desde que comecei a ser catequista. Justamente por vontade de mudar. E sou amadora, muito amadora. Acho até que jamais serei "experiente" o bastante para deixar o amadorismo... Que o dicionário classifica como "praticar uma atividade sem conhecimento avançado do assunto e usando equipamentos e técnicas não profissionais". Pois é, assim me parece a catequese. Por mais que eu tente conhecer o assunto, sempre existe mais para saber e estou sempre atrás de técnicas e métodos novos para tornar a catequese melhor.
Mas vamos falar do amadorismo na catequese, que tem muito a ver com mudanças de comportamento, mudanças do “eu”. Uma das causas da falta de qualidade na catequese é justamente o seu aspecto amadorístico. Amador é aquele que ama só por amar, sem se aprofundar, ou por curiosidade ou simplesmente para ter o que fazer. O amador não espera benefícios monetários em troca de seu trabalho e tem um conhecimento pouco aprofundado sobre o assunto. Ora, confunde-se bastante amador com voluntário, que trabalha por carolice ou caridade.
O voluntário normalmente não é um especialista no que faz. Tem tempo sobrando, tem boa vontade, ideais altruístas e não precisa conhecer profundamente aquilo a que se propõe. O Catequista, por mais que goste da sua atividade, não pode ter conhecimentos vagos e pouco trabalhados sobre a catequese. O Catequista não é só um voluntário. Não pode ser. A Catequese não é uma atividade para se praticar durante uma ou duas horas, esquecer dela e lembrar só na semana que vêm.
Uma coisa que classifica a catequese como amadora também é o fato de que não se exige “profissionalização” na área do ensino, que envolve uma formação básica na área da pedagogia, psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem, metodologias e didáticas, assim como a realização de um “estágio”. Bom, aí vão me dizer que catequese não é escola, não é aula... Para quê tudo isso, então?
Concordo que catequese não é aula, escola, mas é ensino. É educação na Fé. Basta que eu tenha Fé? Posso lidar com crianças só com a iluminação do Espírito Santo? Quando se educa, não se está ensinando? Perdoem-me mas se todas as pessoas que lêem a Bíblia e vão à missa uma vez por semana, tem fé inabalável, são virtuosas, são capazes de serem catequistas, então porque temos tão poucos em nossa Igreja?
No meu primeiro ano de catequese (nunca tinha feito isso antes), me deram uma turma de primeiro ano com 12 crianças. Eu sabia tanto quanto as crianças! Não tinha experiência nenhuma, nunca tinha feito sequer uma formação para catequista e nem tinha curso nenhum na área de educação ou tinha trabalhado com crianças. Isto é tão amador! Naquela altura, não se exigia experiência, bastava boa vontade. Isso foi só há dois anos e meio atrás... Mudou alguma coisa?
Bem, eu tenho muita vontade. Trabalho pela catequese com muito empenho. Sou autodidata, leio muito, rezo muito e procuro me informar sobre tudo. Mas ainda não tenho conhecimento suficiente de pedagogia, didática, metodologia ou aprendizagem para me considerar uma catequista experiente. A Igreja não contribui em nada para mudar isso. Ela não se empenha em preparar catequistas. Ainda é muito amadora e depende exclusivamente de boa vontade. E isso não é só com a Catequese, é com todas as pastorais. Mudei e muito nestes dois anos, única e exclusivamente por esforço meu, mas ainda sou amadora, porque pratico uma atividade amadora.
Estes são alguns dos pontos que justificam e que contribuem para o ritmo em que a Catequese anda. Até quando vamos continuar refletindo e não fazendo nada? Não quero mudanças radicais e pra agora... Não acho que um Ano catequético baste para fazer acordar a Igreja. Acredito sim que é preciso mudar. Como o Alberto Menguzzi já disse, enquanto não mudarmos nossas condutas pessoais, não vai adiantar nada mudar a sala, o livro, as pessoas...
Só que estamos refletindo demais, esperando o tempo passar. Estamos vendo e julgando há tanto tempo.... Não é hora de agir? Aliás, dá vontade de não fazer nada mesmo, não dá? Isto é ou não é amadorismo?!
Ângela Rocha
Catequista
Paróquia e Catedral Nossa Senhora de Belém
Tags: alerta, amadorismo, ação, catequese, catequistas, formação, igreja, mudanças, transformação
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