CATEQUESE !!!

Fazei tudo o que Ele vos mandar (Jo 2,5)

(Autor: Airton Meireles de Castro)

Todos nós sabemos que Deus fala ao coração através do seu Espírito Santo. Durante a meditação de um trecho das Sagradas Escrituras isto também acontece, pois o Espírito vem em socorro à nossa falta de compreensão das coisas do alto e à nossa falta de fé. Mas nós podemos e devemos, no plano mental, buscar entender, saborear e maravilhar-se com os ensinamentos divinos. É justamente este ponto, o ¨buscar¨, que se quer detalhar e enriquecer.

ONDE FAZER A REFLEXÃO?
Sem dúvida alguma, o melhor local para se fazer a reflexão é onde exista silêncio. O silêncio ajuda a concentração e a interiorização. Uma música instrumental em volume baixo, ao fundo, pode também ajudar neste aspecto. O importante é que nossa mente não desvie sua atenção para nada além da meditação que queremos fazer. Neste sentido, não só o silêncio é grande aliado mas também os objetos e cores que se encontram no local. Quanto menos objetos e cores diferentes, melhor.

QUE BÍBLIA UTILIZAR?
Se você é católico, utilize uma bíblia católica, identificada facilmente em suas primeiras páginas pela recomendação ou aprovação do bispo de alguma diocese. A bíblia protestante tem diferenças no Antigo Testamento se comparada com a católica (esta possui 73 livros, 7 a mais que aquela, pois os protestantes não os consideram de inspiração divina).
Outro ponto: procure uma bíblia que tenha uma linguagem mais fácil de entendimento. Nos últimos tempos, têm saído publicações que se preocupam com isto. Peça a ajuda de algum entendido neste assunto (o padre de sua paróquia, o líder de seu grupo de oração, a editora que você conhece e gosta de seus livros, etc).

COMO FAZER A LEITURA?
Se a reflexão é individual, o trecho bíblico pode ser lido duas vezes, assim : após a primeira leitura, fazer uma reflexão bem geral (de que assunto trata o texto, qual parece ser a mensagem principal, a quem se destina a mensagem, etc); e, depois da segunda leitura, fazer uma reflexão profunda partindo dos pontos captados na primeira leitura.
Se a reflexão é coletiva, o trecho bíblico deve ser lido apenas uma vez e, de preferência, por alguém que possua as qualidades de um bom leitor (boa dicção, voz forte e velocidade média na leitura).

DEVE HAVER UMA PREPARAÇÃO ESPIRITUAL?
Antes de iniciar a leitura do texto bíblico, é importante fazer o sinal da cruz e rezar uma oração, mesmo que curta, invocando o Espírito Santo para que Ele nos ajude no entendimento do texto, toque nosso coração para despertar nele a essência do Amor que lá reside e, ao mesmo tempo, que Ele afaste de nós qualquer pensamento ou ato que possa nos distrair durante a meditação.
Para este propósito, uma oração bem conhecida é esta :
¨Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso Amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da Terra. Oremos: Deus que instruístes os corações de vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.¨

IDÉIAS
- Aplicar os pré-conhecimentos históricos
Sabendo-se que a Bíblia foi escrita por partes, entre alguns séculos antes de Cristo e até um século após Ele, ter conhecimento de como eram os usos e costumes da época em que os relatos foram escritos é, sem dúvida, um item forte de ajuda na compreensão destes textos. Há, nas livrarias e nas bibliotecas, muitas literaturas que abordam estes temas, como : a Antiga Palestina (mapas, geografia, costumes do povo, etc), as crenças dos antigos judeus (rituais, costumes, etc), moedas e unidades de medida no tempo de Cristo, e assim por diante. Em muitas bíblias, há comentários e explicações sobre estes temas, o que pode e deve ser utilizado como pré-conhecimento na meditação da Palavra de Deus. Exemplo de pré-conhecimento: na época de Jesus não existiam cédulas; estas eram algumas moedas da região:
- Talento: era a de mais alto valor. Comparada com outras moedas, ela valia,
aproximadamente, 60 minas ou 1500 pratas romanas ou 6000 dracmas (também chamados denários).
- Dracma (denário): era a de menor valor. Correspondia ao salário de um operário após um dia de trabalho.

Texto bíblico (Mt 18, 23-35):
¨Por isso o reino dos céus é comparado a um rei que quis tomar contas a seus servos;
e, tendo começado a tomá-las, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;
mas não tendo ele com que pagar, ordenou seu senhor que fossem vendidos, ele, sua mulher, seus filhos, e tudo o que tinha, e que se pagasse a dívida. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, tem paciência comigo, que tudo te pagarei. O senhor daquele servo, pois, movido de compaixão, soltou-o, e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus companheiros, que lhe devia cem denários; e, segurando-o, o sufocava, dizendo: Paga o que me deves. Então o seu companheiro, caindo-lhe aos pés, rogava-lhe, dizendo: Tem paciência comigo, que te pagarei. Ele, porém, não quis; mandou encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus companheiros o que acontecera, ficaram penalizados e foram revelar tudo isso ao seu senhor. Então o seu senhor, chamando-o á sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste; não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, assim como eu tive compaixão de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos carrascos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão.

Entendimento do texto
Entende-se, facilmente, a mensagem principal deste texto: como Deus perdoa as nossas
faltas, assim devemos também nós perdoarmos os que falham conosco. Aplicando o pré-conhecimento das moedas existentes na época de Jesus (um talento valia 6000 denários), entendemos que o senhor perdoou seu servo em uma dívida de 60 milhões de denários (uma verdadeira fortuna) enquanto que este, por sua vez, não quis perdoar a quem lhe devia apenas 100 denários. A dimensão dos valores envolvidos no texto nos dá a compreensão exata do quanto o senhor foi bom e do quanto seu servo foi mau.

Fazer uma imagem real do fato descrito no texto
Procurar formar uma imagem real do fato descrito no texto, dando à nossa mente uma fotografia do relato. Esta imagem que então se forma em nossa mente nos dá muitos elementos para a reflexão, frutos dos detalhes que a imagem nos transmite.

Texto bíblico (Lc 10, 30-35)
¨Jesus, prosseguindo, disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. Casualmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou adiante. De igual modo também um levita chegou àquele lugar, viu-o, e passou de lado. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão; e, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua montaria, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu te pagarei quando voltar.¨

Entendimento do texto
Pode-se imaginar: a vítima, um homem bastante ferido, sangrando pelo rosto, com alguns cortes, dores por todo o corpo e a roupa rasgada e suja, pois foi espancado por mais de um ladrão e certamente tentou impedir que levassem seus pertences; o sacerdote e o levita, trajando vestimentas nobres; o samaritano, com lágrimas nos olhos ao ver aquele pobre homem ferido, que deu-lhe os primeiros socorros ali mesmo, naquele lugar, levando-o depois para uma hospedaria para que lá recuperasse plenamente a saúde; e o dono da hospedaria, que certamente perguntou ao samaritano quem era o tal homem ferido e, sem dúvida, espantou-se com a resposta de que tratava-se de um estranho.

Reparar nas mensagens por trás dos detalhes que cercam o texto
Muitas vezes um texto bíblico, além do ensinamento principal que quer transmitir, traz várias outras mensagens que estão escondidas nos detalhes envolvidos no texto, como estes : local onde se passa a ação (templo, praça, cidade, etc), pessoas ou tipos de pessoas que estão presentes (fariseus, cegos, povo em geral, autoridades, estrangeiros, etc), distâncias citadas (longe ou perto) ou valores citados (muito ou pouco). Ao analisar estes detalhes deve-se ter em mente a realidade do tempo, usos e costumes relativos à ação.

Texto bíblico (Lc 16, 19-31)
Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se banqueteava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de feridas; o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as feridas. Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão : Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E, além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós. Disse ele então : Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento. Disse-lhe Abraão: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: Não, pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.¨

Entendimento do texto
A mensagem central deste texto é esta: a vida que levamos aqui na Terra condiciona o local para o qual iremos após a nossa morte (uma vida de fé e amor nos levará ao céu enquanto que uma vida só de prazeres e luxo no conduzirá ao inferno). Mas percebemos que há outras mensagens paralelas que também podemos tirar deste mesmo texto. Tais mensagens estão como que escondidas ou camufladas, pois não fazem parte da idéia central do texto, mas nos transmitem ensinamentos importantes. Eis algumas destas mensagens:
1)O simples fato de ser rico não condena ninguém ao inferno mas sim o apego a ele (no texto, era um homem rico que não se importava com ninguém, vivendo apenas para seus prazeres, a julgar pelas roupas que usava e pelos banquetes diários);
2)No dia do julgamento final, o justo será premiado enquanto o maldoso será castigado (o texto não diz que o pobre era uma pessoa justa mas supõe isto em dois momentos : quando o pobre é citado pelo nome (Lázaro), o que não acontece com o rico; e quando, ao falar de sua morte, diz que o pobre fora levado pelos anjos para o seio de Abraão, enquanto que o rico foi sepultado);
3)Na vida eterna, os conceitos e princípios humanos não terão valor algum (no texto, o rico pede a Abraão que envie Lázaro a ele e aos seus irmão, numa clara atitude de superioridade pois se julgava melhor que Lázaro, já que tivera mais riquezas que ele); 4)Abraão nos deixa um ensinamento
importante : céu ou inferno, uma destas será a morada definitiva do Homem. Uma vez estando
num destes lugares, será impossível passar para o outro lugar, o que será uma grande
garantia para os bons e um imenso tormento para os maus;
5)Mesmo sendo má, uma pessoa pode ter atitudes nobres, como o rico que pediu a Abraão para ajudar aos seus irmãos (até com certa insistência);
6)Outro ensinamento de Abraão : a mensagem da salvação e da fé em Deus é proclamada por pessoas e por escritos sagrados, não havendo nenhuma necessidade
de qualquer outro meio para que a humanidade se arrependa de seus pecados e tome o
caminho do bem.

Reparar nos números referenciados pelo texto
Existe um pré-conhecimento muito útil a respeito dos números utilizados nas Sagradas Escrituras, baseado no modo de pensar do Oriente antigo : o número 3 representa a confirmação (no Antigo Testamento, dizia-se que o testemunho de 3 pessoas era suficiente para atestar uma verdade; lembrando aqui que Deus são 3 pessoas); o 7 representa o infinito, uma quantidade que não pode ser medida (lembrando aqui as palavras de Cristo: Perdoar até 70 vezes 7); o 12 representa o número perfeito, a quantidade ótima de alguma coisa (lembrando aqui os 12 apóstolos). Este pré-
conhecimento estende-se também aos múltiplos destes números (lembrando aqui as 144 mil pessoas (12 vezes 12000) que passaram pela Grande Tribulação da qual nos fala o Apocalipse). Ao fazer a meditação do texto bíblico será interessante trocar o número lido por seu significado.

Texto bíblico (Ap 21, 10-17)
...E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de
Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, tendo a glória de Deus; e o seu brilho era
semelhante a uma pedra preciosíssima, como se fosse jaspe cristalino; e tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Ao oriente havia três portas, ao norte três portas, ao sul três portas, e ao ocidente três portas. O muro da cidade tinha doze fundamentos, e eles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. E aquele que falava comigo tinha por medida uma cana de ouro, para medir a cidade, as suas portas e o seu muro. A cidade era quadrangular; e o seu comprimento era igual à sua largura. E mediu a cidade com a cana e tinha ela doze mil estádios; e o seu cumprimento, largura e altura eram iguais. Também mediu o seu muro, e era de cento e quarenta e quatro côvados, segundo a medida de homem, isto é, de anjo.

Entendimento do texto
A Jerusalém celeste compreende: um muro de 144 côvados (12 vezes 12), com 12 portas, 12 anjos, 12 inscrições com os nomes das 12 tribos de Israel, e construído sobre 12 fundamentos (alicerces) nos quais há 12 inscrições com os nomes dos 12 apóstolos de Cristo; e a cidade, com 12 mil estádios de cumprimento, 12 mil estádios de largura e 12 mil estádios de altura. Fica clara a mensagem, usando a simbologia do número 12 : a Jerusalém celeste é um local perfeito, com dimensões perfeitas e onde tudo é perfeito, pois desceu do céu da parte de Deus e tem a glória de Deus, que é perfeito.

Reparar na sequência em que a ação, palavra ou frase é relatada no texto
Quando no texto há uma sequência de ações, palavras ou frases é interessante reparar na ordem utilizada nesta escrita. Muitas vezes, a sequência apresentada nos ensina a ordem de grandeza, importância ou santidade daquilo que está sendo exposto e nos dá pontos fortes para nossa reflexão.

Texto bíblico (Mt 2, 7-11)
...Então Herodes chamou secretamente os magos, e deles inquiriu com precisão acerca do tempo em que a estrela aparecera; e enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide, e perguntai
cuidadosamente pelo menino; e, quando o achardes, comunicai-me, para que também eu vá e o adore. Tendo eles, pois, ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela que tinham visto quando no oriente ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria. E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.

Entendimento do texto
É interessante notar que os primeiros atos dos magos ao avistarem o menino Jesus foram de prostração e adoração. A lição que isto nos dá é esta : quando nos colocamos diante de Deus para orarmos, nossa primeira atitude deve ser a prostração, em sinal de reconhecimento e respeito à Sua grandeza, e depois a adoração, na qual nossa mente, coração e espírito louvam a Deus por tudo que Ele é e por tudo que faz. Atitude idêntica devemos ter ao adentrarmos numa igreja, pois Cristo está lá no sacrário, e também ao recebermos a Eucaristia, quando o próprio Cristo penetra a nossa alma. Voltando ao texto bíblico, após a prostração e adoração, só então os magos ofertaram seus presentes ao menino Jesus. No nosso caso, somente depois de nos prostrarmos e adorarmos a Deus é que devemos oferecer a Ele nossos pedidos, lamentos e necessidades.

Reparar na quantidade de vezes em que uma palavra aparece no texto
A repetição de uma palavra no texto é um recurso que seu autor pode ter usado para chamar a atenção do leitor para esta palavra ou para aquilo que ela significa. Este destaque pode nos ensinar algo e, assim, enriquecer nossa meditação.

Texto bíblico (Mt 5, 1-12)
Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos, e ele se pôs a ensiná-los, dizendo: Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós.

Entendimento do texto
Devido à muita repetição da palavra bem-aventurado, sem dúvida alguma há uma ordem implícita de Cristo a todos nós : tornem-se bem-aventurados, através da busca da humildade, mansidão, justiça, misericórdia, pureza e paz.

Substituir a palavra-chave do texto por outra sinônima
Algumas vezes, substituir a palavra-chave do texto por outra semelhante nos dá uma visão mais clara e ampla do significado do texto. Palavra-chave é aquela palavra central que referencia o objeto, a pessoa, o fato ou a ação mais importante relata no texto. Essa prática de substituição será ainda mais válida e benéfica se o texto bíblico contiver alguma palavra de uso pouco comum na língua portuguesa, mesmo não sendo ela a palavra-chave (lembrando aqui algumas versões que empregam o termo Paráclito no trecho em que Cristo nos promete enviar seu Espírito Santo).

Texto bíblico (1Cor13, 4-8 )
O amor é paciente, é bondoso; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se
ensoberbece, não faz o que é inconveniente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade; ele tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba.

Entendimento do texto
Sem dúvida, este é um dos escritos mais lindos já produzidos a respeito do amor. Mas
podemos ampliar o seu significado, trocando a palavra amor do texto por Deus. Então leremos assim: Deus é paciente, é bondoso; Deus não é invejoso; Deus não se vangloria, não se ensoberbece, não faz o que é inconveniente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade; Ele tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Deus jamais acaba.
Feita esta leitura, constatamos que, não somente entendemos melhor o que é o amor, mas também temos uma imagem mais real de quem é Deus.
Podemos fazer ainda uma outra troca : no lugar da palavra amor coloquemos o nosso nome.
Lendo desta nova forma teremos uma noção se estamos ou não agindo conforme o
mandamento do amor.

Trazer a ação e a situação do texto para os dias atuais
Como muitos fatos relatados nos textos bíblicos não fazem parte da nossa realidade de hoje, é interessante adaptar ou atualizar estes fatos para uma melhor compreensão. Meditar sobre um fato que já presenciamos ou já ouvimos dizer dá-nos mais elementos para a reflexão.

Texto bíblico (Mt 8, 28-34 e Mt 9, 1)
Tendo ele (Jesus) chegado ao outro lado, à terra dos gadarenos, saíram-lhe ao encontro dois possessos, vindos dos sepulcros; tão ferozes eram que ninguém podia passar por aquele caminho. E eis que gritaram, dizendo: Que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo? Ora, a alguma distância deles, andava pastando uma grande manada de porcos. E os demônios rogavam-lhe, dizendo: Se nos expulsas, manda-nos entrar naquela manada de porcos. Disse-lhes Jesus: Ide. Então saíram, e entraram-nos porcos; e eis que toda a manada se precipitou pelo despenhadeiro no mar, perecendo nas águas. Os pastores fugiram e, chegando à cidade, divulgaram todas estas coisas, e o que acontecera aos possessos. E eis que toda a cidade saiu ao encontro de Jesus; e, vendo-o, rogaram-lhe que se retirasse do seu território. E entrando Jesus num barco, passou para o outro lado, e retornou à sua própria cidade.

Entendimento do texto
Jesus ordenou aos demônios que se retirassem daquelas duas pessoas. A cidade, ao invés de se alegrar porque aquelas pessoas ficaram livres da possessão dos demônios, lamentou o fato de perder a manada de porcos. Para eles, o valor material dos porcos foi mais importante que a recuperação das duas pessoas. Nos dias atuais, quantas situações vemos exatamente iguais a esta, em que coisas, status e aparências são mais valorizadas que a vida humana. Alguns exemplos disto:
- falsificação de medicamento (obter dinheiro com a ruína da saúde de alguém),
- trabalho infantil (obter lucro através do serviço de quem nem adolescente é ainda) e
- assassinato por motivo fútil (como, por exemplo, tirar a vida de alguém porque este
causou um pequeno dano à sua propriedade).

Perguntar a si mesmo: eu faria isto que o texto descreve?
Uma boa maneira de trazer o texto bíblico para a minha realidade pessoal, quando ele descreve uma tomada de decisão ou de ação, é perguntar ao próprio íntimo: se fosse eu nesta situação, faria isto? Quero fazer isto agora? A resposta virá, inevitavelmente, e trará muitos elementos para a reflexão da Palavra de Deus. A comparação entre o que descreve o texto e a resposta de meu íntimo servirá também de termômetro para eu saber se estou agindo de acordo com os ensinamentos do Pai e, se não estou, conhecer o motivo disso.

Texto bíblico (Lc 19, 1-9)
Tendo Jesus entrado em Jericó, ia atravessando a cidade. Havia ali um homem chamado
Zaqueu, o qual era chefe dos recebedores de impostos e era rico. Este procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, porque era de pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a um sicômoro (espécie de árvore) a fim de vê-lo, porque havia de passar por ali. Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa; porque hoje eu fico em tua casa. Desceu, pois, a toda a pressa, e o recebeu com alegria. Ao verem isso, todos murmuravam, dizendo: Entrou para ser hóspede de um homem pecador. Zaqueu, porém, levantando-se, disse ao Senhor: Senhor, dou aos pobres metade dos meus bens; e se em alguma coisa tenho defraudado alguém, eu lhe restituo quadruplicado. Disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, porquanto também este é filho de Abraão.

Entendimento do texto
São muito admiráveis as três atitudes de Zaqueu : o esforço que fez para ver Jesus, a
repartição de metade de seus bens e a restituição com grande lucro a alguém que ele tenha tirado algum dinheiro ilicitamente. E eu, faria estas coisas? Faço isto? Zaqueu fez um esforço para conseguir ver Jesus. E eu? Esforço-me para ver Jesus? Sei que Ele está na igreja, no sacrário e na Eucaristia, além do coração. Procuro vê-Lo e senti-Lo através da participação da missa, da visita ao sacrário ou da comunhão? Tenho contato com Ele através da minha oração pessoal? Zaqueu destinava a metade de seus bens aos pobres. E eu? Sinto as carências dos outros e procuro ajudá-los? Dou esmola com frequência? Sou capaz de negar um prato de comida ou um simples copo de água? Zaqueu também restituía quatro vezes mais o dinheiro que, porventura, tivesse tirado indevidamente de alguém. E eu? Qual foi a última vez que eu disse: Desculpe-me, Sinto muito ou Perdoa-me? Tenho procurado corrigir os erros que cometo com meu próximo? Dou a eles algum tipo de compensação por ter falhado com eles?

RESUMO DAS IDÉIAS
- Aplicar os pré-conhecimentos históricos
- Fazer uma imagem real do fato descrito no texto
- Reparar nas mensagens por trás dos detalhes que cercam o texto
- Reparar nos números referenciados pelo texto
- Reparar na sequência em que a ação, palavra ou frase é relatada no texto
- Reparar na quantidade de vezes em que uma palavra aparece no texto
- Substituir a palavra-chave do texto por outra sinônima
- Trazer a ação e a situação do texto para os dias atuais
- Perguntar a si mesmo: eu faria isto que o texto descreve?

Tags: bíblia_católica, catequese, espiritualidade, reflexão

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ana dalva barbosa cristovao Comentário de ana dalva barbosa cristovao em 12 julho 2009 às 20:43
Gostei muito, e considero um grande conhecimento em relação ao nosso crescimento espiritual.
Sou catequista e preciso saber o que estou dizendo para as crianças. Também sou equipista no movimento das Equipes de Nossa Senhora; e um dos Pontos Concretos de Esforço é oração interior e a Escuta da Palavra todos os dias. Então só amamos aquilo que conhecemos e para conhecermos precisamos e para águas mais profundas. Obrigada!!!!
Januária Rodrigues de Souza Comentário de Januária Rodrigues de Souza em 12 julho 2009 às 12:06
Ola jorge
Parabéns por ter criado este veículo de informação para nós catequistas. Suas dicas, infoemes tem me ajudado muito, inclusive tenho recomendado para outras catequistas. O que mais eu posso dizer é...Que Deus abençõe sempre a você e toda sua equipe, obrigado por vocês nos ajudarem, um bom domingo para todos. Paz e Bem para todos voces. Catequista Januária.
Marcia Dinis Comentário de Marcia Dinis em 10 julho 2009 às 19:03
Olá, Jorge
Gostei muito dessas reflexões. Vou tentar usar com meu gurpo de perseverança.
SE tiver algo que eu possa trabalhar com eles... Tem crianças de 11 a 14 anos. Estamos passando por uma fase dificil. Não estou conseguindo segurar muito a atenção deles. Gostam muito de falar e saem do tema proposto. Se puder me ajudar, ficarei agradecida.
Abraços
Marcia
marcia.dinis@superig.com.br
MARLEIDE PEREIRA DE SOUZA Comentário de MARLEIDE PEREIRA DE SOUZA em 10 julho 2009 às 17:43
MUITO INTERESSANTE ESSES PASSOS PARA REFLEXÃO DAS LEITURAS BÍBLICA. O MÉTODO É MUITO PARECIDO COM A LEITURA ORANTE DA BIBLIA. ESTA POSTAGEM IRÁ ME AJUDAR MUITO COM A MINHA EQUIPE DE CATEQUISTAS.
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Início de Notas


"O cristão deve ter a Biblia todos os dias; o mês da Biblia é apenas para enfatizar essa necessidade."

De Jovita, com grande consideração. (abraços)...

Criado por 29 Ago 2008 at 5:52. Atualizado pela última vez por Jorge Kontovski 16. Out, 2008.

Agradecimento

Obrigado Jovita! O centro da nossa vida (e da nossa catequese) sempre foi, é e será a Biblia.

Criado por Jorge Kontovski 12 Set 2008 at 12:45. Atualizado pela última vez por Jorge Kontovski 12. Set, 2008.

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