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Fazei tudo o que Ele vos mandar (Jo 2,5)

Homilia do Mons. José Maria – XXVIII Domingo do Tempo Comum – Ano A

O Banquete e a Salvação

A Liturgia deste Domingo apresenta a salvação sob a imagem de um banquete, preparado por Deus, para todos os homens. Um grande anúncio de esperança e de alegria perpassa, do início ao fim, a Palavra de Deus ( Is 25,6 – 10; Fl4,12 – 20; Mt22, 1 – 14).

Tanto no Antigo como no Novo Testamento, o banquete é símbolo da abundância, da vida, da felicidade.

Jesus é o nosso Pastor e convida-nos de mil maneiras a segui-Lo, mas não quer obrigar-nos a acompanhá-Lo contra a nossa vontade. Nisto consiste o mistério do mal: os homens podem recusar esse convite. Jesus, em Mt 22,1-14, fala-nos dessa recusa.

O Reino de Deus é comparado ao Banquete para uma festa de casamento. O Rei é Deus que organiza a festa de núpcias de seu Filho (Jesus). Todas as promessas de Deus encontraram seu cumprimento com a vinda de Jesus Cristo. Ele, dirá São Paulo, é o “Sim” de Deus a todas as suas promessas ( 2Cor 1, 19 – 20). Ele é o “Amém” por excelência ( Ap3, 14).

Por que é chamado banquete de núpcias? Porque o banquete nupcial é o sinal por excelência da alegria, e a redenção operada por Cristo é “a grande alegria para todo o povo”.  Banquete de casamento, sobretudo, porque Jesus Cristo veio ao mundo para unir a si a humanidade numa maneira tão nova, tão íntima, a ponto de se poder falar de um matrimônio entre Ele e a Igreja ( Ef 5,25ss). Muitas vezes Jesus se comparou com um esposo. Ele chama a seus apóstolos “os amigos do esposo”, fala das almas fiéis como se fossem virgens que vão ao encontro do esposo; João, enfim, chama à Igreja “a Esposa do Cordeiro” ( Apocalipse) e Paulo chega a afirmar que o matrimônio dos cristãos é um grande mistério, uma realidade linda e profunda, exatamente porque tem por modelo o relacionamento esponsal que existe entre Cristo e sua Igreja ( Ef 5, 32s).

A Esposa é a humanidade inteira… a própria Igreja…

O Banquete representa a felicidade dos tempos messiânicos. Quem acolhe o convite experimenta profunda alegria… os Servos representam os profetas… os Apóstolos … e todos nós… os Convidados ao longo do caminho…  são os homens do mundo inteiro.

Os Primeiros convidados não entram na festa: representam os líderes de Israel, preferem seus interesses. Eles, que eram os primeiros, passarão a ser os últimos; outros, os pagãos, tomarão seu lugar.

Entre os novos convidados havia um que não estava trajado a rigor; um que se encontrava aí por acaso, cujos coração e sentimentos estavam longe: um oportunista, diríamos hoje, ou um parasita.

Amigo, como entraste aqui? Esta pergunta é dirigida a cada um de nós que nos encontramos na grande sala nupcial que é a Igreja, para o Banquete que é a Eucaristia. Obriga–nos a entrar em nós mesmos e a nos perguntar se não estamos também nós aqui sem a veste nupcial, se não estamos também nós com o coração ausente e a mente perdida atrás dos próprios trabalhos e negócios.

São Paulo dizia aos primeiros cristãos: Que cada um se examine a si mesmo e, assim, coma desse pão e beba desse cálice ( 1Cor11, 28).

A imagem do Banquete é considerada em outros lugares da Sagrada Escritura como símbolo de intimidade e de salvação. “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo”. (Ap. 3,20). Como é a nossa correspondência às mil chamadas que o Senhor nos faz chegar? Como é a nossa oração, que nos garante a intimidade com Deus?

Rejeitar o convite de Deus é algo muito grave! Perante a salvação, bem absoluto, não há nenhuma desculpa que seja razoável: nem campos, nem negócios, nem saúde, nem bem-estar.

O Senhor quer que a sua casa fique cheia; a sua atitude é sempre salvadora: “Ide até as encruzilhadas dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes. Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons” (Mt 22 , 10). Ninguém é excluído da intimidade divina. Só fica de fora aquele que resiste ao amável convite do Senhor, insistentemente repetido.

“Ide às encruzilhadas e convidai para a festa todos os que encontrardes”. São palavras dirigidas a nós, a todos os cristãos, pois a vontade  salvífica  de Deus é universal; abarca todos os homens de todas as épocas. Cristo, no seu amor pelos homens, procura com paciência infinita a conversão de cada alma, chegando ao extremo de morrer na Cruz. Cada homem pode dizer de Jesus: “Ele me amou e se entregou por mim” (Gl. 2,20).

Desta atitude salvadora do Mestre participamos todos os que desejamos ser seus discípulos. Os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram… Devemos empenhar-nos, com Cristo, na salvação de todas as almas. Não podemos desinteressar-nos de ninguém.

Temos de sentir toda a urgência de levar as almas, uma a uma, até o Senhor. A mesma solicitude com que Cristo nos anima e conforta é a que devemos ter em relação àqueles com quem convivemos diariamente, seguindo o conselho de Santo Inácio de Antioquia:  “Leva a todos sobre ti, como a ti te leva o Senhor”.

Ninguém deve passar ao nosso lado sem que as nossas obras lhe falem de Deus.

Monsenhor José Maria Pereira

Fonte:

Presbiteros.org.br

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