Outro dia, lendo a mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações me veio algo a cabeça. O quanto o conceito “amizade” está banalizado entre o nosso grupo na internet. Nós nos dizemos amigos, mas na realidade, não o somos. Que sabemos nós de pessoas que nunca vimos frente a frente? Como podemos chamar de amigos aqueles que só conhecemos através de fotografia? Ou de uma webcam? Como podemos chamar de amigo se nem sentimos o calor do seu abraço. E como é o brilho dos seus olhos? E como ele fica com cara de choro?
Amigos são pessoas que se amam, que dividem coisas, que escutam e que fazem de tudo para que o outro cresça e se engrandeça aos olhos do mundo. Entre amigos não existe desconfiança nem inveja. Se alguém vêm falar mal de um amigo você o defende e vai imediatamente avisá-lo. Não para fazer fofoca, mas para que o amigo saiba em que terreno está pisando e quem são seus verdadeiros amigos.
Entre amigos não existem “segredos”, não existem “assuntos intocáveis”... E mesmo assim você sabe que existem coisas sobre as quais NUNCA se vai falar. Sabe por quê? Porque amigos se conhecem verdadeira e integralmente, sem ser preciso preencher um “cadastro de intenções”. Amigos se aceitam. Como eles são. Com mil defeitos. Você os enxerga todos. Você não tenta mudá-lo. VOCÊ muda. E o aceita.
Amigos não te magoam? Sim, magoam. Muito mais do que outras pessoas. Amigos você perdoa, mesmo sem que eles te peçam perdão. Os outros você simplesmente esquece.
Eu acredito na “amizade” via internet. Conheci pessoas maravilhosas nas internet. Mas também acredito que via web os relacionamentos se perdem muito facilmente. Basta não ligar mais o computador. Basta “deletar” da lista de contatos. Amigos você não “deleta”. Amigos estão gravados “a ferro” no coração.
As pessoas não querem mais amigos reais. Querem amigos virtuais. Porque aí, pode-se falar um monte... Sem precisar escutar nada. É a filosofia do “eu”. As pessoas estão carentes de serem “ouvidas”. E ninguém quer ser o “ouvido”. Se você tem um amigo de verdade corre o risco de ter que escutá-lo. Já na internet, basta colocar a tarja de “ausente” ou “ocupado”. Pronto.
Talvez nosso pecado seja o excesso de “disponível”. O que leva as pessoas a acreditarem que você está disponível, inclusive, para levar pancada.
Ângela Rocha
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