CATEQUESE !!!

Fazei tudo o que Ele vos mandar (Jo 2:5)

VOCAÇÃO DO CATEQUISTA:
ANÚNCIO DO REINO E TESTEMUNHO DE SANTIDADE




1. 1. Introdução



Antes de falarmos sobre a pessoa do catequista, convém recordar algumas verdades que fundamentam sua ação pastoral, já que este fala em nome da Igreja e é enviado por ela para exercer sua missão.



Em primeiro lugar é importante ressaltar que a Igreja « existe para evangelizar », isto é, para « levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade », conforme nos ensina o Papa Paulo VI na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi (EN 14).



O Diretório Geral para a Catequese (DGC), afirma que a evangelização tem como finalidade convidar homens e mulheres à conversão e à fé (DGC 53). E este chamado de Jesus, « arrependei-vos e crede no Evangelho » (Mc 1,15), continua a ressoar hoje, mediante a evangelização da Igreja, que pode ser realizada de muitas formas. Entre estas, destaca-se a catequese. O ‘momento’ da catequese é aquele que corresponde ao período em que se estrutura a conversão a Jesus Cristo, oferecendo as bases para aquela primeira adesão (DGC 63). A catequese, « distinta do primeiro anúncio do Evangelho » (DGC 182) promove e faz amadurecer esta conversão inicial, educando à fé o convertido e incorporando-o na comunidade cristã.



A catequese na Igreja é uma praxe que remonta à época apostólica, mas que tem a sua fonte primeira no próprio Jesus, que foi um excepcional mestre de doutrina e de vida. Ele era chamado pelos discípulos e pelas multidões de rabbi, isto é, mestre (cf. Jo 1,49; 3,2; 4,31; 6,25; 9,2; 11,8). Ensinou durante a sua vida ministerial com uma autoridade que causava espanto e admiração em todos os que o ouviam, e que superava sem medidas a forma com que ensinavam os mestres da lei da sua época (cf. Mc 1,22).



Hoje em dia, ainda que a catequese seja uma responsabilidade de toda a comunidade cristã, há algumas pessoas que recebem um encargo especial, nesta tarefa pastoral. São elas:

ð Os Bispos: primeiros responsáveis pela catequese, catequistas por excelência ;

ð Os sacerdotes: pastores e educadores da comunidade cristã;

ð Os pais: primeiros educadores dos próprios filhos à fé;

ð Os leigos: grande maioria no desempenho da pastoral catequética.



Vamos nos deter, agora, na vocação do catequista, enquanto leigo.





2. A Vocação do Catequista



Afirma o Diretório Geral para a Catequese que “a vocação do leigo à catequese tem origem no sacramento do Batismo e se fortalece pela Confirmação, sacramentos mediante os quais ele participa do « ministério sacerdotal, profético e real » de Cristo. Além da vocação comum ao apostolado, alguns leigos sentem-se chamados interiormente por Deus, a assumirem a tarefa de catequistas. A Igreja suscita e distingue esta vocação divina, e confere a missão de catequizar. Dessa forma, o Senhor Jesus convida homens e mulheres, de uma maneira especial, a segui-Lo, mestre e formador dos discípulos. Este chamado pessoal de Jesus Cristo e a relação com Ele são o verdadeiro motor da ação do catequista. « É deste conhecimento amoroso de Cristo que jorra o desejo de anunciá-Lo, de « evangelizar », e de levar outros ao « sim » da fé em Jesus Cristo “(DGC 231).



Ser catequista é uma vocação! É um chamado da parte de Deus para uma missão. O catequista, ao sentir esse chamado verifica que necessita compreender melhor seu trabalho missionário.



Sentir-se chamado a ser catequista e a receber da Igreja a missão para fazê-lo pode adquirir, de fato, diversos graus de dedicação, segundo as características de cada um.



Há muitas formas de exercer o ministério catequético, mas independente delas, o catequista deve se esforçar para desenvolver em si as seguintes características:


SER CATEQUISTA



Ser
Vocação: Sou chamado a servir

Saber
Sou discípulo e devo aprender com Jesus

Fazer
Sou enviado pela Igreja, em missão

Conviver
Devo formar comunidade fraterna


3. O Catequista é discípulo de Jesus


O catequista é um instrumento vivo, através do qual Deus se comunica com os homens; é um educador da fé e não um mero repetidor de uma doutrina; é um transmissor do Evangelho com a própria vida, seguindo o conteúdo, o estilo, os critérios e os métodos de Jesus, aprendendo a ter os seus mesmos sentimentos (cf. Fl 2, 5-11).



Então, o CATEQUISTA é um homem ou uma mulher, escolhido (a) por Deus, através da sua Igreja, e por ela encarregado (a), para ser um sinal-instrumento eficaz para transmitir, com a própria vida e pela Palavra, a Boa Nova do Reino Deus que aconteceu em Jesus Cristo.



O catequista se torna assim um mediador entre o diálogo que Deus quer empreender com todos os homens. É uma pessoa que por primeiro encontrou e aderiu à Cristo e à sua Palavra tornando-se, por isso, uma testemunha deste encontro e desta adesão. É um “mestre” que busca ajudar aos outros homens, seus irmãos, a descobrirem e a conhecerem aquilo que Deus falou e quer e deles espera como resposta de amor: “que quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2,40). É um educador, que conduz cada pessoa a desenvolver o germe da fé batismal, isto é, aquilo que cada um possui de melhor dentro de si, ou seja, Jesus Cristo, dom impresso pela graça batismal.



Enfim, o catequista é uma testemunha, capaz de santificar Cristo em seu coração e que está sempre pronto a dar razão de sua esperança a todos aqueles a pedirem. Isto se torna, por assim dizer, uma tarefa ainda maior nos nossos dias, que imersos num contexto secularizado e de inversão de valores, exigem do catequista uma capacidade de incarnar no mundo a própria fé e de comunicá-la de modo convincente e crível, a fim de que os homens possam se libertar de tudo aquilo que é contrário à sua dignidade de filhos de Deus.



Como educador da fé dos seus irmãos, o catequista é devedor a todos do Evangelho que anuncia, ao mesmo tempo em que se deixa educar pela fé e pelo testemunho daqueles que catequiza.


4. O Catequista é um chamado a anunciar o Evangelho


“Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi” (Jo 15,16).



O catequista é enviado, “é, de certo modo, o intérprete da Igreja junto aos catequizandos” (DCG 35).



Ser destinatário de um dom de Deus e tornar-se dom de Deus para os outros, deve fazer surgir no catequista a exigência de um forte crescimento espiritual. Ele deve ser o discípulo que está em constante escuta do seu Mestre. Como Maria, a primeira dos discípulos do seu Filho, assim o catequista deve saber acolher com humildade e meditar a Palavra do Evangelho, referindo e pautando a própria vida nesta Palavra.



Deus nos chama e nos envia em missão de realizar o seu plano de salvação e de resgate de vida. Mas, para bem realizar esta tarefa, “é preciso não só “fazer” seu trabalho, mas acreditar nele. A idéia essencial que deve dominar toda a nossa atividade é: “somos instrumentos”. O primeiro sentimento que brota dessa tomada de consciência é o de profunda humildade. Nessa tarefa de evangelização, CRISTO nos precede no coração humano. É imprescindível contar com a graça de Deus”(Me. Ma. Helena Cavalcanti).



Um outro ponto fundamental, é o testemunho de vida do catequista: sejamos transparentes à verdade que ensinamos.



O Papa João Paulo II, na Exortação Apostólica “Catequese Hoje”, afirma “a tarefa do catequista: apresentar os meios para ser cristão e mostrar a alegria de viver o Evangelho” (CT 147). Portanto, “a alegria é um bom método de aprendizagem” (Me. Ma. Helena Cavalcanti).



Santo Agostinho, no século V da era cristã, deixou grandes ensinamentos sobre a alegria e a catequese e que são úteis até os dias de hoje: “A grande preocupação existe na maneira de narrar, para que aquele que catequiza, quem quer que seja, o faça com alegria: tanto mais agradável será a narração, quanto mais puder alegrar-se o catequista” (Instrução dos catecúmenos).



5. O Catequista é um chamado a anunciar o Evangelho na Igreja


“Quem vos ouve, a Mim ouve” (Lc 10,16).


O Evangelho que o catequista anuncia é o Evangelho que a Igreja lhe confia. Por isso, a fidelidade à tarefa de educador da fé que lhe é dada pela Igreja se exprime, antes de tudo, na comunhão e na fidelidade ao seu vivo magistério. Consciente de ser porta-voz da Igreja, nela a sua experiência de fé vem assegurada, de modo que o que ensina não é uma Palavra qualquer, mas a mesma Palavra viva que o tornou catequista.



Fidelidade à Igreja não é somente fidelidade a um mandato recebido, é também uma participação de fé na vida eclesial; é sentir-se parte ativa da Igreja local na qual exerce o serviço. Esta participação não pode, enfim, confinar-se somente no âmbito do anúncio da Palavra, mas deve abrir-se a todas as dimensões da vida eclesial e paroquial.



6. O Catequista é um chamado a anunciar o Evangelho na Igreja a serviço do homem



“O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28).



Estando a serviço de Deus, em nome da Igreja, o catequista sabe-se chamado e enviado para um serviço aos irmãos. São testemunhas e partícipes de um mistério que vivem e que comunicam aos outros com amor. O fato mesmo de estar enraizado em Deus e na sua Igreja impulsiona o catequista a viver com os outros e para os outros.



O catequista deve saber se colocar próximo aos homens e caminhar com eles, na escuta das suas exigências, sobretudo daqueles que são considerados os últimos na sociedade: os pobres, os marginalizados e os que não são considerados capazes, por serem portadores de deficiência física ou mental.



O catequista assume concretamente a história do homem e dela se torna atento leitor. Servidor da Palavra de Deus que é para o homem, ele se qualifica em particular como animador da comunidade, favorecendo a participação de todos e a tomada de consciência da história que se vive. O respiro de uma autêntica catequese vai além dos muros paroquiais e atua também fora deles em atenção viva e generosa do catequista aos problemas da sociedade.



7. Conclusão: O Catequista é chamado à Santidade



Na Carta Apostólica Novo Millenio Ineunte, o Papa João Paulo II enfatiza a necessidade de buscarmos a santidade em toda e qualquer atividade pastoral: “Em primeiro lugar, não hesito em dizer que o horizonte para que deve tender todo o caminho pastoral é a santidade (...) Na verdade, colocar a programação pastoral sob o signo da santidade é uma opção carregada de consequências. Significa exprimir a convicção de que, se o Batismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus através da inserção em Cristo e da habitação do seu Espírito, seria um contra-senso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial. Perguntar a um catecúmeno: « Queres receber o Batismo? » significa ao mesmo tempo pedir-lhe: « Queres fazer-te santo? » Significa colocar na sua estrada o radicalismo do Sermão da Montanha: « Sede perfeitos, como é perfeito vosso Pai celeste »” (Mt 5,48) – (NMI 30;31).





“Concedei-nos, Senhor,
a grande alegria de sermos fiéis Mensageiros de Vossa Ressurreição,
por uma tomada de consciência na fé,
um testemunho de vida na esperança e um anúncio da salvação na caridade. ”

(Madre Maria Helena Cavalcanti)



BIBLIOGRAFIA

. Diretório Catequético Geral (1971) e Diretório Geral para a Catequese (1997)

. Catequese Renovada (1983). CNBB

. Novo Millenio Ineunte. João Paulo II. 2001

. “Ser Catequista” – Pe. Assis Moser e Pe. André Biernaski

. “A pessoa do Catequista” e escritos de Madre Maria Helena Cavalcanti

. Apontamentos do Curso para Catequistas, de Pe. Leonardo A. Fernandes

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Respostas a este tópico

ser catequista!! é um chamado de Deus e muitos infelismente nao escutam ,ou fazem que nao escutam o chamado ,mas a realidade é que nem todos querem um compromisso com Deus e com a igreja aqui na minha comunidade eu percebo que muitos são chamados mas poucos dizem sim a Jesus, é uma pena que isso esta acontecendo, é com grande alegria que eu como coordenadora da catequese e catequista estou servindo a Deus e evangelizando.

Responder esta

Alem de ser um chamado tambem é um dom ser Catequista, viver na comunidade, fazer e ser parte da evangelização de crianças, adolecentes e ate mesmo de adultos, não há sentimento mais puro e bonito voce ser parte da historia de alguem. Por isso estou no meu quinto ano como catequista da Catedral de Fátima.

Responder esta

Mt interessante o conéúdo. Conheço dado que, o directório é um instrumento de base ao curso de catequética qque estou a terminar. Bem-Haja.

Responder esta

Olá

Vou ser catequista no próximo ano!
Gostei muito do seu texto.
Bem-Haja

Responder esta

Olá
eu tambem vou ser catequista no proximo ano
gostei do texto

bjs fraternos

Responder esta

Ser Catequista é doar-se, entregar-se na construção da base do reino de Deus... A Igreja do futuro depende da catequese de hoje.

Sueli Gallo disse:
Olá
eu tambem vou ser catequista no proximo ano
gostei do texto

bjs fraternos

Responder esta

ser catequista é sim: um don como ser professora , de uma matéria escolar, mas envangelicamente é sim um chamado, ao Divino Esp Santo, que nos pede para proclamar a palavra a, povos menos civilizados que os nossos povos. Também para sermos catequistas, assumidas, temos que ter ordem, do sacerdote da paróquia, nem todo pode exccer essa vocação, se não tiver , bem estruturada, para ser boa católica ou católica ou protestante

Responder esta

Ser Catequista é não só uma oportunidade para ajudar os outros a amadurecer na Fé, como também uma forma de aprofundar a própria Fé e vivê-la para poder comunicá-la.
Ser catequista é um dom que Deus nos deu, pois é através de nós que Deus fala à criança.
É também um orgulho poder passar a minha experiência de fé e aprender um pouco com elas!
Por isso amo ser Catequista!!!
Fiquem com Deus e com Maria.

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"O cristão deve ter a Biblia todos os dias; o mês da Biblia é apenas para enfatizar essa necessidade."

De Jovita, com grande consideração. (abraços)...

Criado por 29 Ago 2008 at 5:52. Atualizado pela última vez por Jorge Kontovski 16. Out, 2008.

Agradecimento

Obrigado Jovita! O centro da nossa vida (e da nossa catequese) sempre foi, é e será a Biblia.

Criado por Jorge Kontovski 12 Set 2008 at 12:45. Atualizado pela última vez por Jorge Kontovski 12. Set, 2008.

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